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Chapada dos Veadeiros

Visão Geral

Escolha uma trilha e VENHA viver uma experiência inesquecível.

A Área mais preservada de Cerrado do estado do Goiás está localizado na Chapada dos Veadeiros, as serras abrigam importantes nascentes e uma diversidade incrível de Fauna e Flora nativa. Aqui está localizado o maior complexo de cachoeiras do Brasil, rios de água cristalina e paisagens que tiram o folego. 

Semente de Sucupira

História

Os primeiros registros de ocupação humana na região são de tribos indígenas como os Cayapós, os Xavantes e os Guayazes. Depois vieram os bandeirantes em busca de minas de ouro e africanos foragidos pela escravidão , dando início ao ciclo da mineração de ouro,

A partir daí a região foi alvo de diversos garimpeiros que vinham para explorar o metal precioso e ajudar a Coroa Portuguesa a “interiorizar” a pátria amada Brasil. A primeira incursão no território de Cavalcante ocorreu em 1736, pelo garimpeiro Julião Cavalcante e seus companheiros, vindo em busca de novas minas de ouro.

A notícia da descoberta de imensa mina de ouro de grande profundidade à margem do córrego Lava Pés, na serra da Cavalhada, atraiu numerosos aventureiros dos mais distantes rincões, iniciando-se o povoado com o nome de CAVALCANTE, em homenagem ao fundador e colonizador.

Em 1794, com a decadência do metal precioso no arraial de São Félix, transferiu-se para Cavalcante a casa de Fundição de ouro, extinta em 1806, por tornar-se deficitária. Estima-se que durante a glória das minas de ouro havia na região de Cavalcante aproximadamente 20.000 escravos, população duas vezes maior que a atual somente de escravos.

Com o declínio do ouro o município dedicou-se a outras atividades econômicas, principalmente a agricultura e pecuária. Com a produção de açúcar, carne, farinha de mandioca e posteriormente a farinha de trigo. Durante algum tempo o município foi o maior exportador de farinha de trigo para os EUA na qual lhe rendeu o trigo de melhor qualidade, em função do clima, altitude e solo.

Nessa época o território de Cavalcante abrangia quase todo o nordeste goiano, desde o município de Formosa (antigo Arraial dos Couros) até o município de Arraias no Estado Tocantins.

Em 1740, foi fundado oficialmente o arraial de Cavalcante, pelo bandeirante Diogo Teles Cavalcante e Domingos Pires do Prado, em presença do Governador da Capitania de São Paulo, D. Luiz de Mascarenhas. Em 1759, o arraial foi elevado a freguesia, por ordem do Governador da Capitania de Goyaz, D. João Manoel de Melo.

  nos arredores da região  da que levou ao surgimento de Cavalcante em 1740. O desenvolvimento da região começou em torno de 1750, com a implantação da propriedade do Sr. Francisco de Almeida, chamada de Fazenda Veadeiros, onde atividades de pecuária e do cultivo de trigo e café se aglomeraram em pequena escala. Diversos viajantes passaram pelo local ao longa da história:

Em 1946, a nova constituição prevê a mudança da capital para o interior. Para tal foi formada a Comissão Poli Coelho destinada a determinar a área da nova capital. A comissão Poli Coelho estendeu a área do Distrito Federal até Veadeiros (Alto Paraíso), mas posteriormente esta área foi contraída, fazendo com que Veadeiros ficasse fora do distrito federal. Desta comissão fez parte Jerônimo Coimbra Bueno, quem em 1960 escreveu uma carta para o então Presidente Jucelino Kubstcheck pedindo a criação do Parque Nacional do Tocantins, pedido que foi atendido um ano mais tarde com um parque de 625 mil hectares, abrangendo toda a Chapada.

Em 1892 um fato anunciava radicais transformações no âmbito geográfico, político e social de toda a região do Brasil Central. Era a chegada da comissão exploradora do Planalto Central, comandada por Luiz Crulz e constituída de diversos pesquisadores que tinham a finalidade de delimitar a área da futura capital do Brasil.

Em setembro de 1926 a célebre Coluna Prestes atravessa a Chapada. Em 1931, a serviço do correio aéreo nacional, o brigadeiro Lisias Rodrigues passa por Veadeiros, vindo de São Paulo em direção a Belém. Esta visita resulta na magnífica obra literária “O roteiro do Tocantins“.

Com a inauguração de Brasília (1960) toda a região do entorno começa a refletir as profundas transformações desencadeadas a partir deste evento.

Em 1980 dois fatos específicos, de origens diversas, porém complementares, tornam-se um marco decisivo para a realidade atual: eram os projetos Alto Paraíso e Rumo ao Sol. O primeiro projeto, de cunho governamental buscava instalar diversos equipamentos urbanos, tais como: hotel, aeroporto, asfalto, etc, visando criar, a partir do turismo e da produção de frutas nobres, um pólo regional de desenvolvimento do nordeste goiano. Já o “Rumo ao Sol” tinha como objetivo a instalação e desenvolvimento na área de comunidades alternativas, baseando-se em conceitos do naturalismo e do misticismo. O projeto, que era como um movimento hippie, atraiu a primeira grande leva de migrantes para a região. A partir daí, e com a implementação do Ecoturismo, a Chapada dos Veadeiros e as comunidades com ela relacionadas vem experimentando diversas transformações políticas, sociais e econômicas.

A Região da Chapada dos Veadeiros, incluindo o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é uma das feições geomorfológicas mais antigas do Planalto Central e é importante local de encontro de grandes grupos de formação geológica denominado Supergrupo Veadeiros, que contempla os Grupos Araí com 2,1 bilhões de anos, Traíras com 1,8 b.a. e Paranoá com 1,0 b.a.; e o Grupo Bambuí com 650 milhões de anos, todos formados quando ainda não existia vida na Terra, motivo pelo qual não encontramos fósseis na Chapada, esse período antes da explosão de vida é chamado de pré-Cambriano.

O encontro tectônico entre esses grupos é o que faz a geomorfologia da região ser excepcional. Ao longo do tempo, as paisagens foram moldadas e modificadas por ações de chuvas, ventos, calor, desagregação de rochas por água, por raízes de plantas, causando o intemperismo, ajudando a formar os vales, cânions e cachoeiras.

Toda essa movimentação geológica resulta em uma diversidade formidável de paisagens, que é a base para a biodiversidade única e singular presente na região. Os processos geológicos associados aos ecológicos e a grande variação de altitude contribuem ainda para a existência de inúmeros atrativos e possibilidades de recreação e experiências em contato com a natureza.

Texto: Joana Sanches – UFG

Flora

O poeta e ambientalista Nicholas Behr expressou bem ao dizer que: “Nem tudo que é torto é errado. Veja as pernas do Garrincha e as árvores do Cerrado”. Pois de fato, para muitos que olham o Brasil, desde a perspectiva da Floresta Amazônica ou mesmo da Mata Atlântica, com árvores frondosas, grandes folhas e muito verde, pode deixar de perceber as belezas que existem nos detalhes do Cerrado, que demandam um olhar mais atento.

A grandiosidade do Cerrado se traduz por sua biodiversidade: é a savana mais biodiversa do mundo, com aproximadamente 12 mil plantas catalogadas, das quais mais de 4 mil são endêmicas, um percentual bastante expressivo. Por esse motivo, o bioma é considerado um ‘hotspot’ global de biodiversidade, o que significa que possui uma alta quantidade de espécies endêmicas ao mesmo tempo em que se encontra seriamente ameaçado, o que o torna de certa forma “insubstituível” e o faz ser considerado prioritário para a conservação. No Cerrado, tem-se um clima estacional, com duas estações bem marcadas ao longo do ano, um verão chuvoso e um inverno bastante seco. Características essas que as plantas tiveram que contornar com suas estratégias de sobrevivência e talvez, por esse motivo, possua uma alta taxa de endemismo.

As espécies tiveram que lidar com a realidade de secas, as quais anualmente são submetidas, e eventuais queimadas que as atingem nesse período. Assim, pode-se ver plantas com adaptações diversas, com o objetivo de acumular e evitar a perda de água e de se proteger do fogo. Dentre as adaptações, destacam-se: raízes profundas capazes de explorar regiões do solo onde há água, principalmente no período de secas; algumas plantas entram em dormência durante esse período, o que exigem menos água para o metabolismo; alta capacidade de armazenamento de água e nutrientes, seja nas raízes ou troncos; características nas folhas que evitam perda excessiva de água; dentre outras. Em relação ao fogo, muitas espécies se recuperam rapidamente das queimadas, algumas possuem troncos com casca espessa ou mesmo troncos subterrâneos que as protegem e, ainda, algumas têm a floração estimulada pelo fogo. Essas características possibilitam que, pouco tempo depois das primeiras chuvas, após um período prolongado de secas e de fogo, o verde tome conta do bioma.

Fauna

O bioma Cerrado possui uma elevada diversidade de paisagens constituídas por diferentes fisionomias de vegetação que a colocam entre as savanas de maior riqueza florística do mundo (MENDONÇA et al., 1998). Essa heterogeneidade de habitats favorece a diversidade da fauna. Por essas e outras razões o Cerrado é considerado um dos biomas mais importantes do mundo, contendo 5% da biodiversidade do planeta, aproximadamente 7.000 espécies de plantas, 1.200 de peixes, 150 de anfíbios, 180 de répteis, 837 de aves e 199 de mamíferos, dos quais, 44% das plantas vasculares, 28% dos anfíbios, 17% dos répteis, 3,4% das aves e 9,5% dos mamíferos são endêmicos ao bioma. 

Não é muito comum entrar numa área de Cerrado e se deparar com mamíferos, pois em sua maioria estarão abrigados (ou refugiados) em áreas bem conservadas, onde podem manter o seu sustento. Alguns poucos podem também ser encontrados com uma frequência maior, como o saruê, a capivara e mesmo o mico-estrela. Dentre os mamíferos mais conhecidos, além do lobo guará, há onça pintada, tatu-canastra, veado-mateiro, raposa-do-campo, gato-do-mato, macaco-prego, tamanduá bandeira, lontra, catitu, queixada, paca, dentre muitos outros.

Infelizmente com o avanço do agronegócio, os animais silvestre estão tendo suas casas invadidas. Para manter a vida das suas gerações devem migrar para as ilhas de cerrado que sobraram em meio as grandes plantações.

Viva a Chapada dos Veadeiros

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